fevereiro 28, 2018

Desculpa filha, ainda não sei ser mãe…

Se me perguntarem o que é ser mãe vou dizer que ainda não sei. 
São 5h49 da manhã, acordei às 3h45 para lhe preparar o biberon, porque sabia que às 04h ela iria acordar com fome. A Isabella tem o seu tempo, não bebe o leite de seguida, e eu aguardo enquanto luto contra o sono. Coloco-a finalmente no berço mas ela quer ouvir a minha voz, então ‘recito’ na minha tentativa de voz suave as minhas receitas, como se poesias fossem. Ela adormece e eu tento também dormir, dois minutos depois ela volta acordar. Num piscar d’olhos já passaram três horas e o meu corpo pede mais cinco minutos antes voltar a fazer tudo de novo. E assim, uma noite após a outra. 
O dia começa, mais um biberon, mais uma fralda, uma muda de roupa limpinha, acalmar o seu choro e vezes sem conta de colocar a chucha na sua boca.
Eu? Ainda nem à casa de banho consegui ir, nem tirar o pijama sujo de leite ou me pentear. Me olho no espelho e não me reconheço, nem o corpo nem o cabelo lembram a mulher pela qual o meu marido se apaixonou. As olheiras mostram o sinal dos meses sem dormir antes dela nascer somados a tudo o que veio depois do seu nascimento. Então ela dorme mais três horas ou quinze minutos e eu penso por onde começar: arrumo a casa? Escovo os dentes? Tomo o pequeno-almoço? Começo a trabalhar? Nada, não consigo fazer nada a não ser chorar sem parar porque sempre me achei uma mulher forte e hoje descubro que sou fraca. Me sinto a pior mãe…

Mas aí ela acorda, abre os seus olhinhos lindos e cheios de vida para viver, e na minha fraqueza mais uma vez encontro força, pra lhe aninhar nos meus braços, encostar a sua cabeça na minha e lhe fazer juras de amor eterno!
Se me perguntarem o que é ser mãe vou dizer que ainda não sei. Mas daria o meu braço para ela não sentir a dor de uma vacina, o meu corpo para ela não ter cólicas, o meu calor para as suas mãos não ficarem frias.
Olho para os seus pezinhos, perninhas, bochechas, pra essa boquinha tão perfeita e, no seu olhar fixo no meu,  peço-lhe desculpas por estar tão cansada. Ah minha filha, eu bem sei que não te importas com as minhas olheiras nem com o meu cabelo desarrumado. Com todos os meus defeitos já sei que é no meu colo que te sentes segura e protegida. Eu te amo com todas as minhas forças, e um minuto longe de ti é uma eternidade, mas se me perguntarem o que é ser mãe vou dizer que não ainda sei. Mas juntas vamos aprender a ser mãe e filha, tu o meu pequeno grande mundo e eu a mão que te segura para não tropeçares.
Se me perguntarem o que é ser mãe…ainda não sei!

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