fevereiro 16, 2016

Gambrinus: O prego de luxo

Todos os caminhos vão dar ao Gambrinus quando a fome aperta, em regime de larica. É que o prego no pão (ou fora) tem toda uma tradição por trás, o que dá mais prazer em voltar. É um dos meus points favoritos depois de um teatro, concerto ou cineminha à noite. Funciona até as duas da manhã, por isso é de boa fechar a noite – ou fazer um pit stop – por lá.

Quem passa pelas Portas de Santo Antão, com atenção ao sem fim de restaurantes italianos, perde o caminho para este restaurante que já cá canta há 80 anos. Três salas luxuosas e com um ar discreto, guardam histórias de tantas décadas, mas para mim as melhores acontecem ao balcão. “Um dia fui jantar à casa da tia da minha mulher. Fez um cozido à portuguesa e quando dei a primeira garfada, aquilo queimou a minha boca. Para não ficar mal diante da tia, engoli e fiquei com o céu da boca queimada. Por isso muito cuidado menina, o prego ainda está bem quente”, me alertou um dos senhores que servem ao balcão. Eu bem tento comer devagarinho quando vou lá, mas…ou o prego é muito pequeno, ou eu esqueço que é mesmo para comer em “slow motion” e quando dou por mim, já acabou! A peça de lombo é tenra, com o interior rosado e sumoso. Eu prefiro no pão, mas sozinho com alho por cima, também é perfeito, se acompanhado com batatas fritas. “Lá em casa faço uma batatas fritas em azeite que mais ninguém consegue fazer, a receita era da minha mãe”, conta outro balconista.

É sem duvida um restaurante de ar seleto – é que tem ar de ser caro – mas assim que se entra sente-se em casa e os preços são acessíveis (no balcão). O ambiente é descontraído, junto com a ementa chegam as torradas em fatias muito finas e amanteigadas na hora. Quando estão a terminar, já chega um novo prato com mais. Peço os croquetes de carne, o tempero é forte mas quebra quando se desfazem na boca, enquanto vai se molhando em mostarda. Nem preciso dizer nada, o chefe de sala adivinhou e sugeriu logo de cara um vinho com syrah, uma das minhas castas favoritas. Pensamento lido e realizado. Eu seiiiii! Misturei tudo, comecei pelo prato principal e depois fiz a minha critica da entrada. Não resisti! O prego é de facto a melhor parte do meu enredo sempre que vou ao Gambrinus.  

Na ementa há cherne grelhado com molho gribiche, empadão de perdiz e crepes Suzette, entre outras iguarias. As trouxinhas de ovos vem encharcadas em calda de açúcar, uma bomba calórica digna de ser considerada a cereja no topo do bolo da noite.

NOME: Gambrinus
Preço médio: 30€ (ao balcão)
Morada: Rua das Portas de Santo Antão, 23-25
Localidade: Santa Justa, Lisboa
T: 213421466
site: http://www.gambrinuslisboa.com/

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